O Galfarro vai casar
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22 Juillet 2006 à 19:05 dans
- Cartes Postale avec Poèmes

Conversa com S. Pedro
Ó meu querido santinho,
Ó santo, tão milagreiro,
Arranja-me lá, um amorzinho,
Que me queira, para a vida inteira.
Tu tens, todas as chaves,
Que abrem, portas e portões,
Arranja-me lá, uma que abra,
O melhor de entre todos, os corações.
Só tu, tens o poder,
De ligar, o céu á terra,
Mas vê lá, tenta compreender,
Que é bela a vida, ela me espera.
Se Deus, nos quizer ajudar,
Aos habitantes, cá deste mundo,
A paz pedimos, para começar,
Que nos una, no seu amor tão profundo.
Hoje é o teu dia, ó santinho,
Por todo o lado, és adorado,
Olha pelo desempregado e o mendigo,
Proteje as crianças e os velhinhos, abandonados.
Que faça calar, armas e canhões,
Que tudo cresça, em liberdade,
Que a fome e a guerra, acabe nas nações,
Que se partilhe o amor, paz e amizade!...
Autoria: Dora Coimbra
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S. Pedro padroeiro
S. Pedro, padroeiro de Molelos, tu és,
Proteje o teu povo, sofredor,
Pois todos se prostam, a teus pés,
Pedindo-te saúde, trabalho, paz e amor.
Na sua devoção, de ti esperam,
Que tu os possas proteger,
Da fome e da miséria, que há na terra,
No desemprego e solidão, não os deixes sofrer.
Proteje, cada familia e o seu lar,
Na doença, dá-lhes forças, para vencer,
No trabalho, não os deixes fraquejar,
Na vida, não os deixes esmorecer.
Aos velhinhos, dá forças e alento,
Para lutarem, contra a solidão,
Nos momentos, de maior sifrimento,
Envia-lhes alguém, que lhes estenda a mão.
Aos jovens, dá força e determinação,
Para lutarem, pelos seus ideais,
Com muita coragem e convicção,
Vão realizar seus sonhos e muito mais.
Ajuda nossas crianças, a aprenderem,
A construir, o futuro de amanhã,
Para em harmonia e sabedoria crescerem,
Com saúde, paz e amor, a ter uma vida sã.
Olha também, pelos nossos imigrantes,
Que partiram na esperança, de uma vida melhor,
Entre cá e lá, passaram a ser viajantes,
Nas suas viagens, roga por eles ao Senhor!...
Autoria: Dora Coimbra

Celeba-se hoje o dia de S.Pedro padroeiro de MOLELOS



Uma exposição e venda de cerâmica negra de Molelos (Cidade e Concelho de Tondela) está patente ao público desde o dia 17 e se prolonga até ao final do mês de Junho. A exposição apresenta um conjunto significativo de peças de oito oleiros, que vão desde a linha tradicional até uma linha mais experimental. O discurso expositivo procura mostrar as especificidades de cada autor, oferecendo uma imagem de conjunto, que surpreende pela diversidade de propostas que existem neste momento nas olarias de Molelos, afinal uma terra que é o principal centro produtor de cerâmica negra do país, onde existem mais oleiros em actividade. A cerâmica de Molelos inscreve-se numa tradição, de que se desconhecem todos os elos da cadeia. Foram encontrados vasos fúnebres de olaria negra, que remontam à Idade do Bronze, na Necrópole de Paranho (sítio das Relvinhas) desta Freguesia. Por outro lado, a existência de barro em Molelinhos, que ainda hoje é utilizado pelos oleiros, reforça a ideia de uma cadeia de produção que se manteve até à actualidade. A exposição é produzida por Luís Chaves e Marta Amaro com o apoio da Junta de Freguesia local e da Câmara Municipal de Tondela. Os oleiros participantes, são os seguintes: António Duarte e António Coimbra (Feitiço da Púcara), António Marques (Olaria Moderna), Fernanda Marques (Olaria Tradição), Graciano Coimbra (Olaria Artesanal), Gilberto Silva (Olaria Tradição Mais), Luís Carlos Lourosa e José Manuel Lourosa (Artantiga). Até ao dia 30 de Junho, uma oportunidade para muitas gentes do Concelho de Tondela, se deslocarem até às lindas terras de Lafões e visitarem, um dos expoentes máximos do património cultural, no sector do artesanato, da nossa não menos bela região de Besteiros, que fica do lado de cá da Serra do Caramulo e se estende até às margens do Dão. |

Galramento
Um galfarro e uma gavia,de Molelos,
Foram zular á fonte, e se encontraram,
Galfarro girado,de sarilha e em chinelos,
Ela de calcúrreos,branca com a brancosa, de longe se falaram.
Seu padranho de andarilho,ali a deixara,
Com a canavarra de massa burra, para de práusia encher,
Pela gavia, o galfarro se apaixonara,
Falou-lhe do seu gazulo e rifote, que ela devia conhecer.
Ela para responder, da sua cardenho,lhe falou,
Do lapim, do penoso e do comanêncio que tanto gostava,
Falou-lhe também, da chafarrica e ele escutou,
Do chosque e da cúrria, que ela adorava.
Falou-lhe da cascosa, e da verdeosa, que cultivava,
E das orelhas de mula e dos mortambúzios, da sua horta,
Do puxante e da penosa, que ao grízio estavam,
Comendo o zaburro, lançado pela ventosa, chegada a jângolas.
Combinaram para ámatilde, um outro encontro,
Com meduncho de pelos padranhos, serem descobertos,
Pediu um paivante ao primêncio, que já estava pronto,
Disse adeus á gavia, acabara a galramento!...
Autoria:Dora Coimbra
Com palavras tiradas do galramento de Molelos



O galfarro e a gavia
O galfarro, que foi á feira,
Uma bombásia, foi comprar,
Para a gavia, na eira,
A lanfeio, fagonhir.
Torrépias e chispe de chiça,
Também pecado negro, e escamuncho,
Temperados ,com corujo r rançosos,
No bombásio, não é nada mau.
De sorilha, na fusarca,
Foi buscar chosque, e práusia muito boa,
Regressa zoeiro, que grande cardina,
Cai por terrancosa, parte a canavarra da caneira.
Não tem alguião, para outra comprar,
Tem meduncho de seu padranho, e foge do caneiro,
A gavia, seus tibórneas, lhe quer mostrar,
Diz-lhe para não ter meduncho, pois não é alparrote!...
Autoria: Dora Coimbra
Nota:
Pôema escrito com algumas palavras do galramento que se pratica em Molelos.



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