História de Molelos
O primeiro senhor das Honras de Nandufe e de Molelos foi Henrique Esteves da Veiga, no tempo de D. Afonso V. Sua bisneta, Maria da Veiga, casou com Sancho de Tovar, copeiro-mor de D. Sebastião e cativo em Alcácer. Desta geração para diante separam-se os senhorios de Nandufe e Molelos, ficando este para os sucessores da dita Maria.
Os Tovares eram oriundos de Espanha e o primeiro em que se principia esta famÃlia em Portugal foi Martim Fernandes de Tovar que, seguindo o partido de D. Afonso V e de D. Joana, ao voltar a Espanha, foi mandado degolar por D. Fernando.
O filho, Sancho de Tovar, vingou-lhe a morte, foi capitão de sofala e casou com D. Guiomar da Silva, de quem teve Pedro de Tovar, pai do referido Sancho de Tovar.
Foi seu filho Pedro de Tovar, vedor de fazenda na �ndia, casado com D. Ana Manuel de Gusmão.
O filho destes, Diogo de Tovar, foi casado com D. Mécia de Sousa e capitão da nau Oliveira, queimada para não cair nas mãos dos Holandeses.
Sua filha, D. Ana de Tovar, senhora como seu pai e avós da Honra de Molelos casou com D. Martim de Távora e Noronha, Secretário de estado de D. Pedro II, segundo filho de Pedro Vieira da Silva, Secretário de Estado de D. João IV que depois de viúvo foi bispo de Leiria.
D. Leonor de Távora e Noronha, sua filha, senhora da Honra de Molelos e Botulho, casou com seu tio Jerónimo Vieira da Silva.
Sucederam-lhe no senhorio de Molelos e Botulho seu filho e neto Diogo Vieira da Silva e Jerónimo Vieira da Silva, governador militar dos concelhos de Besteiros e de Sabugosa na Guerra Peninsular, em que prestou muitos e relevantes serviços, e pai de Francisco de Paula Vieira da Silva Tovar, 1º Barão e 1º Visconde de Molelos, o conhecido general que dirigiu as operações do exército miguelista no Algarve e no Alentejo. Foi este avô do 13º senhor de Molelos e Botulho, António Vieira, falecido no seu Paço de Molelos, em 1920.
Molelos
MODELOS TRADICIONAIS DE OLARIA PRETA
Ainda hoje um dos mais importantes centros de olaria artesanal de cor preta, Molelos possui várias oficinas - alpendres – em plena actividade, com oleiros a pulsar uma roda alta, movida com o pé.
Aqui se fabricam, com argilas das terras próximas os tradicionais modelos: cantarinhas ( bilhas ) de segredo, assadeiras, padelas, púcaros, e panelas, bilhas, cântaras e moringues.
Estas peças, muitas delas com fins exclusivamente decorativas, recebem uma ornamentação manual de carácter vegetalista ou geométrico, incisa ou relevada, ou então um simples alisamento – o brunir - , feito quase sempre pelas mulheres, com seixos do mar.
A cozedura pelo processo da redução do oxigénio, o que garante a cor negra da louça, é obtida no forno de tipo mais antigo ( a soenga, cova aberta no solo ) ou no forno alto, com fornalha, de tradição romano.
A louça é vendida no local e nas feiras de Tondela, Besteiros e Viseu, para consumo interno e também para o estrangeiro.